quinta-feira, 29 de março de 2007

A Cidade

A cidade fascina os homens a pelo menos 7.500, segundo a Arqueologia. No
A cidade fascina os homens a pelo menos 7.500, segundo a Arqueologia. No começo cidade era sinônimo de segurança já que sua função era servir de fortificação. De dentro dela os reis governavam os homens, os sacerdotes seus espíritos e os dois, juntos com os comerciantes, seus bolsos. Todos muito bem protegidos pelos guardas do reino ou da tribo. Com o desenvolvimento das técnicas de construção, as cidades ganharam muralhas, muitas delas intransponíveis, além de templos, palácios, teatros e novos equipamentos urbanos como praças públicas, ruas calçadas, aquedutos e sistema de esgotos.

Além de garantir um abrigo seguro para os poderosos a cidade tinha outra função importante: Boa parte delas constituiam grandes mercados. A cidade antiga era ao mesmo tempo o centro administrativo do poder, o centro religioso, comercial e cultural de suas nações, pois ela representava o poderio, a riqueza e a sofisticação de uma civilização. Na Grécia surge a cidade clássica, a Polis, com um sofisticado de leis e de governo. Na principal delas, Atenas, surge a Democracia.
Outra cidade que povoou, por séculos, a mente dos homens como exemplo de cidade por excelência foi Roma. Os pronunciamentos oficiais do tempo do Império Romano sempre começavam com a frase: Urbs et Orbs _ "Da cidade para o mundo", em latim, estabelecendo a ordem do Orbs (mundo) em referência à urbs (Roma). A frase continua sendo usada na primeira benção do ano, dada pelo Papa, diretamente de Roma.
Com a queda do Império Romano as cidades passaram por um longo período de estagnação que durou quase toda a Idade Média, voltando a florescer com o renascimento.No final do século XVIII, com a Revolução Industrial, as cidades alcançaram um nível de concentração populacional até então inimaginável e seus problemas cresceram nas mesmas proporções. Pessoas de todas as partes, com culturas, crenças e línguas diferentes eram atraídas para as cidades em busca de trabalho e de uma vida melhor.
A concentração de tantas pessoas querendo aproveitar os benefícios oferecidos por elas acabou trazendo problemas. Desde então as cidades sempre tiveram áreas mais bonitas e seguras e outras mais feias e inseguras. Cidades inglesas, como Londres e Manchester foram as primeiras "Cidades Grandes" do Ocidente desde os tempos de Roma, mas foi Paris, a partir da Segunda metade do século XIX, que se tornou o modelo de metrópole universal, copiado e reproduzido por todos os países que desejavam o título de "modernos". Do século XIX ao começo do XX não havia cidade no mundo que não desejasse parecer-se com Paris.
No Brasil as cidades se desenvolveram muito lentamente durante todo o período colonial ganhando impulso somente a partir de 1850, graças a riqueza gerada pelo café, mas esse desenvolvimento somente se consolidou na primeira metade do século XX com a industrialização, principalmente a partir dos anos 20 e 30. A maioria dos problemas urbanos que enfrentamos hoje se deve a acelerada urbanização promovida pelo desenvolvimento industrial. Com o projeto desenvolvimentista do Estado Novo, nos anos 30 e depois com o "milagre Brasileiro" nos anos 70, as cidades brasileiras cresceram muito rapidamente e sem planejamento algum, por isso mantém o aparente traçado improvisado que se tornou permanente.
Parte do fascínio exercido pela cidade talvez se explique, de certa forma, pela capacidade que ele tem de separar o homem da natureza; não é necessário cultivar a terra, nem caçar ou pescar, é só ir ao mercado da esquina. Isso contribui para libertar as pessoas do peso das
tradições familiares e das imposições sociais. Observar a natureza de fora, ou seja, a partir da cidade, levou o homem a refletir sobre ele mesmo, questionando o senso comum e as antigas explicações que a sociedade tinha sobre a sociedade e a natureza. Não é por acaso que grande parte do conhecimento humano foi construído nas cidades. Quem sabe não foi este o motivo que levou Deus, por precaução, a impedir a construção de Babel, confundindo a língua de seus habitantes dispersando todo mundo.
A cidade é lugar de encontros, desencontros e reencontros. Destino de um sem número de pessoas à procura de oportunidades, fama ou do anonimato. A cidade é capaz de apagar antigas identidades e ascender novas, ofusca indivíduos, ilumina anônimos, entorpece os espíritos, transforma a realidade. A cidade fabrica celebridades e heróis, anjos e demônios, santos e monstros. A cidade é ao mesmo tempo um imenso campo de oportunidades e um grande campo minado, cheio de armadilhas. Há muitos buracos onde se pode cair, mas também há muitos onde procurar refúgio.
Eduardo Prado


"História Sem Fim"
Pequeno trecho do
artigo “História Sem Fim” de José Arbex Jr. (1999, Caros Amigos)


"A Cidade, sob a aparência de uma “normalidade” rotineira, é de fato um palco turbulento, enigmático e desconhecido, um imenso caos feito de paixões subterrâneas, de fantasias e pulsões que move cada um de nós, os seus habitantes.
A cidade é a manifestação aparente de uma ordem que só existe de forma muito frágil, precária. A cidade é a ilusão de uma ordem que quase não existe.

Nada disso é rigorosamente “novo”. Ao contrário, o caos urbano é um dos grandes signos dessa fase da história que se convenciona chamar modernidade. Um sistema onde as comunidades são apenas aparentes, já que aquilo que une os homens em grandes aglomerações urbanas é também aquilo que os separa: a disputa por emprego, por salários, a busca do lucro, as estratégias individuais de ascensão social, a exploração de uns pelos outros. As cidades não tendem a criar relações reais de compaixão e solidariedade, mas, ao contrário, sua grande vocação é alimentar o medo, aprofundar a solidão"


Babel

“Toda a Terra tinha uma só língua, e os homens entendiam-se com as mesmas palavras. Alguns , partindo para o Oriente, encontraram na Terra de Senaar uma planície onde se estabeleceram. E Disseram uns aos outros: “Vamos, fabriquemos tijolos e cozamo-los no fogo”. Depois disseram: “Construamos pra nós uma cidade com uma torre cujo topo chegue aos céus. Tornemos assim, célebre o nosso nome, para que não sejamos mais dispersos pela face da Terra.”Mas o Senhor desceu para ver a Cidade que os filhos dos homens construíam. “Eis que são um só povo, disse o Senhor, e falam uma só língua: Se começam assim, nada os impedirá, futuramente de executarem todos os seus empreendimentos. Vamos, desçamos para lhes confundir a língua para que não se compreendam mais uns com os outros. Assim o senhor os dispersou e impediu a construção da Cidade. Por isso deram a ela o nome de Babel, porque ali o Senhor confundiu a linguagem de todos os seus habitantes.” Gênesis,
Cap. 11 v. 1 ao 9.

Do livro: "Se Um Viajante Numa Noite de Inverno"

A cidade de quem a vê sem entrar é uma; é outra para quem passa por ela e é outra para quem está aprisionado e não sai mais dali; uma é a cidade à qual se chega pela primeira vez, outra é da qual se parte para nunca mais voltar. Italo Calvino (1999, p.
115).



... seu segredo é o modo pelo qual o olhar percorre as figuras que se sucedem numa partitura musical da qual não se pode modificar ou deslocar nenhuma nota. A cidade é estática.
Ruas, vielas e praças perenes, obrigadas a permanecerem imóveis, imutáveis na constante metamorfose. Na cidade, Zóra definhou, desfez-se, sumiu. Foi esquecida pelo mundo.

Italo Calvino (1999, p.
19-20)

Trecho do livro "As Cidades Invisíveis" de Ítalo Calvino. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

http://www.educacaopatrimonial.com.br/educacaopatrimonial/xilocidade.htm

http://www.fotosedm.hpg.ig.com.br/RJ/RJ046.jpg


...E a Cidade?

Com seus braços abertos num cartão postal

Com os punhos fechados na vida real

lhes nega oportunidades

Mostra a face dura do mal
Alagados, Paralamas do Sucesso

....Ilusora de pessoas de outros lugares,

A Cidade; sua fama vai além dos mares.

A cidade não pára, A cidade só cresce. O de cima sobe e o de baixo desce....

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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008
Incluído no calendário das comemorações nacionais desde2003, o dia 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, será feriado em 350, dos 5561 municípios espalhados pelo Brasil. Em 2008, ano em que a abolição do trabalho escravo completa 120 anos, este dia terá um ingrediente especial: Segundo estimativas do IBGE, os brasileiros que declaram a cor da pele como preta e parda _ negros, pela terminologia do instituto_ serão maioria no país, algo que não acontece desde 1890 (leia em Virada Racial). Podemos questionar se há mesmo a necessidade de tantos feriados, mas também devemos discutir sobre o porquê deles existirem e sobre a intenção daqueles que os criaram. Continue lendo...

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Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

Burros, Cavalos e Democracia

Estamos em época de eleições e só o fato de podermos escolher livremente entre candidatos de diferentes partidos já revela uma característica importante sobre o nosso país: somos uma democracia. Mas o que significa essa tal de democracia, uma palavra tão valorizada entre nós, mas que só por aparecer neste site pode fazer com que ele seja censurado em alguns países? Continue lendo...

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Domingo, 7 de Setembro de 2008
Há 50 anos, em Julho de 1958, nascia a bossa nova, um estilo musical que transformaria para sempre a música brasileira. Um desconhecido João Gilberto, criador de um jeito novo de tocar violão, lançava o álbum “Chega de Saudades” com duas faixas que logo chamariam a atenção do público: “Chega de Saudades”, composição de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, e “Bim Bom”, do próprio Gilberto, ambas com essa “batida diferente”, como definiu seu criador. Bossa era uma gíria usada por jovens universitários para jeito, maneira, estilo. Quando alguém tinha um jeito novo de cantar, tocar, ou mesmo de se comportar diante da turma, dizia-se que era um sujeito cheio de bossa... Continue lendo...

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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008
Este texto é o resultado de algumas reflexões sobre a última greve de professores do Estado de São Paulo, a primeira da qual eu participei, ao contrário de tantas outras que apenas acompanhei pela TV e que muitas vezes praguejei por causa dos transtornos que quase sempre provocam. Por ter vivido esta experiência de greve acabei percebendo algumas coisas que antes me passavam despercebidas e que me levaram a fazer muitas perguntas. Não é a minha intenção aqui responder a essas perguntas ou apontar soluções, até por que não saberia fazê-lo, pretendo apenas levantar algumas questões e compartilhar com o leitor minhas opiniões e minhas dúvidas.

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Domingo, 13 de Julho de 2008
O que é?
Segundo o dicionário Houaiss, entre outras definições, palavra é a menor partícula da língua, com som e significado próprios. Significado que não depende dela, mas do sistema lingüístico ao qual pertence e que é o resultado da interação dos homens entre si e deles com o ambiente em que vivem e que está em constante transformação. Palavra é o que dá nome, ou o que define a natureza do que tem nome. Como um artigo que define o gênero de um substantivo. Palavra deriva do Grego “parabolé”, que significa narrativa alegórica. Em certo sentido uma palavra é isso, uma alegoria, ou seja, uma fantasia, um signo, ou, para ficar mais fácil, um nome para a idéia de alguma coisa. Palavras nomeiam idéias, se uma palavra não existe, a idéia também não existe. Complicado? continue lendo...

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Sábado, 21 de Junho de 2008
No dia 13 de Maio de 2008, 120 anos após a abolição dos escravos, o IPEA* – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - e o IBGE -Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, órgãos do Governo Federal, divulgaram o resultado de um levantamento inédito (ref. 2006) sobre a variação de cor e gênero na participação da economia e do trabalho no Brasil. Além de desmistificar o mito da Democracia Racial brasileira, mostrando que a população preta e parda está muito longe de alcançar os mesmos níveis de educação, emprego e renda que a população branca, os números apresentados permitem fazer uma projeção que pode parecer surpreendente. Continue lendo...

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Segunda-feira, 12 de Maio de 2008
Um Poema Pedagógico
Recentemente eu li "Poema Pedagógico" de Anton Makarenko (S. Paulo, 2005 _ Editora 34). O livro é resultado do diário pessoal que o autor manteve quando foi diretor de um reformatório ucraniano, a Colônia Gorki, entre 1920 e 1928. Makarenko era um adimirador do celebre escritor russo Máxim Gorki, por isso batizou a colônia com seu nome. Gorki se correspondeu com Makarenko e seus internos por vários anos e chegou a visitar a colônia em 1928.A história se passa logo após a Revolução Russa e no final da Guerra Civil. Esses dois eventos, somados a Primeira Guerra Mundial , entre 1914 e 1917 e à Guerra contra o Japão, em 1905, deixaram a economia do país praticamente arruinada. Assim que o Governo Revolucionário conseguiu certa estabilidade política tratou de reconstruir o país. Mas não se tratava apenas de reconstruir a economia, a nova ordem econômica e social, baseada no Socialismo, não tinha precedentes na História. Continue lendo...

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Quinta-feira, 29 de Março de 2007
A cidade fascina os homens a pelo menos 7.500, segundo a Arqueologia. No começo cidade era sinônimo de segurança já que sua função era servir de fortificação. De dentro dela os reis governavam os homens, os sacerdotes seus espíritos e os dois, juntos com os comerciantes, seus bolsos. Todos muito bem protegidos pelos guardas do reino ou da tribo. Com o desenvolvimento das técnicas de construção, as cidades ganharam muralhas, muitas delas intransponíveis, além de templos, palácios, teatros e novos equipamentos urbanos como praças públicas, ruas calçadas, aquedutos e sistema de esgotos. Além de garantir um abrigo seguro para os poderosos a cidade tinha outra função importante: Continue lendo...

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Sábado, 24 de Março de 2007
A organização social do Estado Brasileiro está estruturada em um sistema que, se por um lado oferece instrumentos de bem estar social com políticas públicas de infra-estrutura urbana e previdência social _ além de sustentar uma economia que permite a uma parcela da população participar de todos os benefícios que o desenvolvimento econômico e tecnológico podem oferecer _ por outro impede a outra parcela da população, a maior parte dela, de ter acesso a estes benefícios.
A precariedade das condições de vida e a falta de acesso aos benefícios do progresso econômico é o que define, neste texto, o conceito de violência estrutural; origem de uma sociedade violenta. Continue lendo...

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