A cidade fascina os homens a pelo menos 7.500, segundo a Arqueologia. No começo cidade era sinônimo de segurança já que sua função era servir de fortificação. De dentro dela os reis governavam os homens, os sacerdotes seus espíritos e os dois, juntos com os comerciantes, seus bolsos. Todos muito bem protegidos pelos guardas do reino ou da tribo. Com o desenvolvimento das técnicas de construção, as cidades ganharam muralhas, muitas delas intransponíveis, além de templos, palácios, teatros e novos equipamentos urbanos como praças públicas, ruas calçadas, aquedutos e sistema de esgotos.
Além de garantir um abrigo seguro para os poderosos a cidade tinha outra função importante: Boa parte delas constituiam grandes mercados. A cidade antiga era ao mesmo tempo o centro administrativo do poder, o centro religioso, comercial e cultural de suas nações, pois ela representava o poderio, a riqueza e a sofisticação de uma civilização. Na Grécia surge a cidade clássica, a Polis, com um sofisticado de leis e de governo. Na principal delas, Atenas, surge a Democracia.Outra cidade que povoou, por séculos, a mente dos homens como exemplo de cidade por excelência foi Roma. Os pronunciamentos oficiais do tempo do Império Romano sempre começavam com a frase: Urbs et Orbs _ "Da cidade para o mundo", em latim, estabelecendo a ordem do Orbs (mundo) em referência à urbs (Roma). A frase continua sendo usada na primeira benção do ano, dada pelo Papa, diretamente de Roma.Com a queda do Império Romano as cidades passaram por um longo período de estagnação que durou quase toda a Idade Média, voltando a florescer com o renascimento.No final do século XVIII, com a Revolução Industrial, as cidades alcançaram um nível de concentração populacional até então inimaginável e seus problemas cresceram nas mesmas proporções. Pessoas de todas as partes, com culturas, crenças e línguas diferentes eram atraídas para as cidades em busca de trabalho e de uma vida melhor.A concentração de tantas pessoas querendo aproveitar os benefícios oferecidos por elas acabou trazendo problemas. Desde então as cidades sempre tiveram áreas mais bonitas e seguras e outras mais feias e inseguras. Cidades inglesas, como Londres e Manchester foram as primeiras "Cidades Grandes" do Ocidente desde os tempos de Roma, mas foi Paris, a partir da Segunda metade do século XIX, que se tornou o modelo de metrópole universal, copiado e reproduzido por todos os países que desejavam o título de "modernos". Do século XIX ao começo do XX não havia cidade no mundo que não desejasse parecer-se com Paris.No Brasil as cidades se desenvolveram muito lentamente durante todo o período colonial ganhando impulso somente a partir de 1850, graças a riqueza gerada pelo café, mas esse desenvolvimento somente se consolidou na primeira metade do século XX com a industrialização, principalmente a partir dos anos 20 e 30. A maioria dos problemas urbanos que enfrentamos hoje se deve a acelerada urbanização promovida pelo desenvolvimento industrial. Com o projeto desenvolvimentista do Estado Novo, nos anos 30 e depois com o "milagre Brasileiro" nos anos 70, as cidades brasileiras cresceram muito rapidamente e sem planejamento algum, por isso mantém o aparente traçado improvisado que se tornou permanente.Parte do fascínio exercido pela cidade talvez se explique, de certa forma, pela capacidade que ele tem de separar o homem da natureza; não é necessário cultivar a terra, nem caçar ou pescar, é só ir ao mercado da esquina. Isso contribui para libertar as pessoas do peso das
tradições familiares e das imposições sociais. Observar a natureza de fora, ou seja, a partir da cidade, levou o homem a refletir sobre ele mesmo, questionando o senso comum e as antigas explicações que a sociedade tinha sobre a sociedade e a natureza. Não é por acaso que grande parte do conhecimento humano foi construído nas cidades. Quem sabe não foi este o motivo que levou Deus, por precaução, a impedir a construção de Babel, confundindo a língua de seus habitantes dispersando todo mundo.A cidade é lugar de encontros, desencontros e reencontros. Destino de um sem número de pessoas à procura de oportunidades, fama ou do anonimato. A cidade é capaz de apagar antigas identidades e ascender novas, ofusca indivíduos, ilumina anônimos, entorpece os espíritos, transforma a realidade. A cidade fabrica celebridades e heróis, anjos e demônios, santos e monstros. A cidade é ao mesmo tempo um imenso campo de oportunidades e um grande campo minado, cheio de armadilhas. Há muitos buracos onde se pode cair, mas também há muitos onde procurar refúgio.Eduardo Prado
"História Sem Fim"
Pequeno trecho do
artigo “História Sem Fim” de José Arbex Jr. (1999, Caros Amigos)
"A Cidade, sob a aparência de uma “normalidade” rotineira, é de fato um palco turbulento, enigmático e desconhecido, um imenso caos feito de paixões subterrâneas, de fantasias e pulsões que move cada um de nós, os seus habitantes.
A cidade é a manifestação aparente de uma ordem que só existe de forma muito frágil, precária. A cidade é a ilusão de uma ordem que quase não existe.Nada disso é rigorosamente “novo”. Ao contrário, o caos urbano é um dos grandes signos dessa fase da história que se convenciona chamar modernidade. Um sistema onde as comunidades são apenas aparentes, já que aquilo que une os homens em grandes aglomerações urbanas é também aquilo que os separa: a disputa por emprego, por salários, a busca do lucro, as estratégias individuais de ascensão social, a exploração de uns pelos outros. As cidades não tendem a criar relações reais de compaixão e solidariedade, mas, ao contrário, sua grande vocação é alimentar o medo, aprofundar a solidão"
“Toda a Terra tinha uma só língua, e os homens entendiam-se com as mesmas palavras. Alguns , partindo para o Oriente, encontraram na Terra de Senaar uma planície onde se estabeleceram. E Disseram uns aos outros: “Vamos, fabriquemos tijolos e cozamo-los no fogo”. Depois disseram: “Construamos pra nós uma cidade com uma torre cujo topo chegue aos céus. Tornemos assim, célebre o nosso nome, para que não sejamos mais dispersos pela face da Terra.”Mas o Senhor desceu para ver a Cidade que os filhos dos homens construíam. “Eis que são um só povo, disse o Senhor, e falam uma só língua: Se começam assim, nada os impedirá, futuramente de executarem todos os seus empreendimentos. Vamos, desçamos para lhes confundir a língua para que não se compreendam mais uns com os outros. Assim o senhor os dispersou e impediu a construção da Cidade. Por isso deram a ela o nome de Babel, porque ali o Senhor confundiu a linguagem de todos os seus habitantes.” Gênesis,
Do livro: "Se Um Viajante Numa Noite de Inverno"
Cap. 11 v. 1 ao 9.A cidade de quem a vê sem entrar é uma; é outra para quem passa por ela e é outra para quem está aprisionado e não sai mais dali; uma é a cidade à qual se chega pela primeira vez, outra é da qual se parte para nunca mais voltar. Italo Calvino (1999, p.
115).
... seu segredo é o modo pelo qual o olhar percorre as figuras que se sucedem numa partitura musical da qual não se pode modificar ou deslocar nenhuma nota. A cidade é estática.
Trecho do livro "As Cidades Invisíveis" de Ítalo Calvino. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
Ruas, vielas e praças perenes, obrigadas a permanecerem imóveis, imutáveis na constante metamorfose. Na cidade, Zóra definhou, desfez-se, sumiu. Foi esquecida pelo mundo.
Italo Calvino (1999, p.
19-20)
http://www.educacaopatrimonial.com.br/educacaopatrimonial/xilocidade.htm
http://www.fotosedm.hpg.ig.com.br/RJ/RJ046.jpg
...E a Cidade?
Com seus braços abertos num cartão postal
Com os punhos fechados na vida real
lhes nega oportunidades
....Ilusora de pessoas de outros lugares,
A Cidade; sua fama vai além dos mares.
A cidade não pára, A cidade só cresce. O de cima sobe e o de baixo desce....











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