domingo, 13 de julho de 2008

O Universo das palavras


Palavra: O que é?

Segundo o dicionário Houaiss, entre outras definições, palavra é a menor partícula da língua, com som e significado próprios. Significado que não depende dela, mas do sistema lingüístico ao qual pertence e que é o resultado da interação dos homens entre si e deles com o ambiente em que vivem e que está em constante transformação. Palavra é o que dá nome, ou o que define a natureza do que tem nome. Como um artigo que define o gênero de um substantivo.

Palavra deriva do Grego “parabolé”, que significa narrativa alegórica. Em certo sentido uma palavra é isso, uma alegoria, ou seja, uma fantasia, um signo, ou, para ficar mais fácil, um nome para a idéia de alguma coisa. Palavras nomeiam idéias, se uma palavra não existe, a idéia também não existe. Complicado? Vejamos as palavras ler e texto. Se não existissem imagine o trabalho que teríamos para fazer um pedido simples como “leia este texto.” Teríamos que explicitar minuciosamente o que queremos para sermos compreendidos.

Essas palavras não estiveram sempre aí, na ponta da língua. Um dia alguém sentiu a necessidade de uma palavra que desse conta de explicar o que era produzido com a escrita e qual a sua utilidade. Para isso, os latinos utilizaram uma palavra que já existia no seu vocabulário, “textum”, que significava tecer, trançar, fazer tecido. Com a palavra ler foi a mesma coisa. Ela vem do Latim lide (lida), cujo verbo é ledere (lidar), que quer dizer pegar, catar, separar. Ler, portanto, seria o mesmo que pegar , só que com os olhos! Uma alegoria.

Algumas palavras são adaptadas para nomear algo que não tinha uma definição apropriada, são os neologismos. Embalo, por exemplo, virou balada. Outras ganham novos sentidos, como bárbaro, que originalmente designava um selvagem, mas hoje também pode ser algo extraordinário. Outras, ainda, são empréstimos de outros idiomas, são os estrangeirismos, como e-mail, delete, delivery.
Infelizmente, algumas também desaparecem. Ninguém mais fala acuda, preferem ajuda. E as belas palavras que enfeitam nosso Hino Nacional? Digo enfeitam porque elas não fazem mais parte da nossa fala cotidiana. Seu significado já se perdeu para a maioria das pessoas, que cantam o Hino meio sem saber o que estão dizendo. Isso sem falar nas gírias, que vivem o intervalo de apenas uma geração. Morô, bicho? Aliás, do mesmo modo que os seres humanos, as palavras nascem, se desenvolvem, morrem. E muitas, como acabamos de ver, até deixam descendentes. Há ainda as que trocam de gênero! Personagem, por exemplo, nasceu a personagem, mas não estava satisfeita e resolveu mudar. Isso causa certa confusão entre os falantes que ainda ficam na dúvida: Essa palavra é masculina ou feminina? Mas personagem, resolvidíssima (ou resolvidíssimo?), não está nem aí.
Cultura e Sentimento
As palavras podem dizer muito sobre o povo que as usa. Filosoficamente falando, a natureza dos objetos seria inacessível para nós, humanos. A realidade seria percebida através das sensações que eles nos provocam e é para essas sensações que criamos palavras. Não vemos o frio, mas o sentimos. Por outro lado, vemos a cor azul, mas só percebemos essa cor porque somos sensíveis a ela, por isso lhe damos um nome.
Vamos usar os esquimós como exemplo: Esse grupo humano vive no Ártico onde não falta gelo. O chão, onde ursos polares passeiam, é coberto de neve, assim como as montanhas. No céu polar, como em qualquer outro, há nuvens. Se nos perguntarem qual a cor da neve ou das nuvens (as de tempestade não valem) não teremos duvida em responder que tanto uma quanto a outra são brancas. Mas se perguntarmos a um esquimó, ele nos dirá que a neve tem uma cor e a nuvem tem outra, assim como os ursos polares.
Isso acontece porque os esquimós vivem num mundo branco e para viverem melhor nele atribuíram um significado diferente para cada uma das tonalidades dessa cor. Assim, eles vêm uma grande variedade de cores onde nós, que falamos Português, só enxergamos branco.
Os gregos antigos, para citar outro exemplo, possuíam três palavras para nomear um sentimento que nós nomeamos com apenas uma, amor. Os gregos conheciam três formas de amor: Ágape, Eros e Philia. Ágape era o amor elevado, sublime, e também uma grande afeição. Para os primeiros cristãos, ágape era o amor de Deus. Eros era o amor sensual, romântico, apaixonado. O amor que levava as pessoas a se casarem ou manterem relações sexuais, mas também podia ser uma uma admiração muito forte, entre amigos, por exemplo, sem conotação sexual nenhuma. E, por fim, Philia (filía), o amor desprendido, virtuoso. O amor ou a dedicação entre irmãos, entre pais e filhos. Em Português Philia deu origem a palavras como filarmônica, amor à harmonia; filantropia, amor à humanidade; filosofia, amor á sabedoria, entre outras.
Cada uma dessas três palavras pode ser traduzida por amor, mas sempre haverá uma perda de significado. A escassez de palavras para nomear algo tão diverso como o amor revela um pouco da nossa dificuldade em ligar com este sentimento. Em Português costuma-se usar a palavra paixão para marcar um tipo específico de amor, mais intenso, impulsivo, mas paixão é mais uma “qualidade” de amor que um sentimento específico. Paixão, aliás, também vem de outra palavra grega, Pathos, que significa dor, sofrimento. Por isso a crucificação de Jesus é conhecida como “A Paixão", que traduzida ao pé da letra seria “O Sofrimento de Cristo”.
Originalmente, a palavra amor significava dar uma atenção maior a alguém, parar em alguém. As palavras morosidade, moroso, morada, moradia, têm a mesma origem. Apesar de vir do latim seu significado atual data do século XIII. Até então a palavra latina usada para designar esse sentimento era cáritas, da qual derivam um universo de outras palavras como caro, carisma, caridade, carência, caráter, carícia e carinho. Durante a Idade Média a campanha empreendida pela Igreja para desassociar a palavra cáritas das relações ditas carnais, portanto pecaminosas, fez com que essa palavra desaparecesse. Como o homem precisa dar nome aos seus sentimentos ficou cabendo a palavra amor designar esse afeto.
Palavras Especiais
Recentemente uma reportagem tratou da dificuldade que a comunidade chinesa de São Paulo tem em se integrar à sociedade brasileira, seja por motivos culturais, seja por causa da língua. Mesmo com dificuldade para aprender Português, os chineses que vivem no Brasil incorporaram a palavra festa na sua fala cotidiana. Isso porque não existe tradução para festa no idioma Chinês. Em Chinês se celebra, se comemora, mas não existe uma palavra para a reunião informal de pessoas sem intensão cerimoniosa nem motivo específico, a não ser divertir. Isso não existe na cultura chinesa, que é muito mais formal e disciplinar que a nossa.
Todos os idiomas têm palavras difíceis de traduzir para outras línguas, e algumas simplesmente não têm tradução para nenhuma outra. É o caso da palavra saudade, geralmente traduzida por "sentir falta". Mas nós, que falamos e sentimos saudade, sabemos que não é só isso. Sabemos o que é, mas explicar é difícil, por isso usamos uma palavra para expressar esse sentimento. O Português também forjou a palavra luar, que em outros idiomas se traduz por “brilho da lua”. Mas não é a mesma coisa, nem poderia, pois, como disse o poeta maranhense, Catullo da Paixão Cearense: "Não há, oh gente, oh não, luar como este do sertão".
Mundo de Palavras
O universo das Palavras não é feito só de sentidos e significados, mas também de valores sociais. Hoje vale o que está escrito, assinado e registrado em cartório, mas no passado, ser fiel a palavra dada já foi muito importante. Para alguns ainda é. Neste universo também não faltam atribuições mágicas, sobrenaturais ou sagradas. E isso vai muito além do Abracadabra. Tem gente que acredita que uma palavra pode alterar a química do corpo! Alguém duvida que a palavra sorte trás sorte? Vendedores, por exemplo, evitam dizer não, nunca, ou só isso? E abusam do sim, claro, lindo, maravilhoso!
No casamento religioso é a palavra que oficializa o enlace. Existe a certidão, mas o que vale é a palavra. Com batizado ou consagração é a mesma coisa. Algumas orações cristãs lembram mantras budistas, palavras que repetidas têm poderes transcendentais. A criação do mundo, segundo a Bíblia, começa com a frase: "No Princípio era a Palavra". Ou seja, na Gênenis, a Palavra é o Princípio Criador, Deus. E o que é o mundo senão tudo aquilo que pode ser dito através de palavras? Os limites do nosso mundo são as palavras que conhecemos. Quanto mais palavras conhecemos, maior será o nosso mundo.
Para concluir, não posso deixar de mencionar outra magia da qual as palavras são capazes. É através delas que os poetas nos falam das coisas da vida e do amor, que os compositores nos tocam com suas canções, que viajamos pelos mundos criados pela literatura. Saber usar a palavra é um dom precioso, atributo de apenas alguns poucos privilegiados.
Para outros, como eu, encontrar a palavra certa, que tenha o sentido desejado, não é uma tarefa fácil. Saber trabalhar as palavras para compor uma poesia, uma canção, escrever um livro ou simplesmente para falar, é uma arte digna dos maiores escultores, escultores de palavras.
Comente este texto!

5 Comentários:

Cleiton disse...

O simples ato de se apresentar a definição deste universo incabado, cheio de cor, jeito e forma, mostra o conhecimento de mundo que tem.
Acredito que a ideia simpes de se definir um ato através de uma palavra, frase ou gênero deveria nos fazer refletir sobre as palavras, seus sentidos, origens e formas.
O vasto caminho do conhecimento esta ligado a este universo infinito de formas, sons e letras que se unem para construir a informação e suprir nossa necessidade continua do saber!

Edu disse...

Sei que num nada a ver com o seu texto das palavras (que ainda não li, mas lerei), mas comoum tempo atrás estavas interessado em Noel Rosa, veja esse interessante comentário do Caetano dizendo ser Noel quase um racista, senão de todo. Abraços, EduPassos
http://www.youtube.com/watch?v=JITbSJWLJJE

Eduardo do E. S. Prado disse...

Edu,

Não leve o Caetano tão a sério. A letra de "Feitiço da Vila", de Noel Rosa, analisada por ele, deve ser interpretada levando-se em conta o contexto em que ela foi produzida.

Noel era de Vila Isabel, um bairro classe média, mas vivia nos bairros boêmios e nos morros, em companhia de personalidades como Cartola, Aracy de Almeida e Wilson Batista. Todos moradores de bairros humildes.

Wilson Batista, também compositor de sambas, era negro, morava no morro e tinha fama de malandro. Havia uma rivalidade entre os dois, que se restringia à música e ao modo de ver a vida. No mais, conviviam bem e se respeitavam.

Numa destas disputas musicais de idéias, Wilson compôs um samba em que exaltava a superioridade da música produzida pelos pretos do morro em comparação com o samba dos brancos. Noel Rosa debochou desse samba, então Wilson Batista compôs outro, satirizando os bacharéis brancos da Vila Isabel (Noel era estudante de medicina, mas não chegou a se formar), uns manés que tinham medo dos pretos do morro e não entendiam nada de Samba.

Noel Rosa revidou dando o troco com outro Samba, "Feitiço da Vila", esse que Caetano Veloso classificou como racista. As letras das duas músicas reproduzem esteriótipos, tanto de um lado quanto de outro, e a intenção era mesmo provocar.Daí conotação racista.

Parece que a composição de Wilson se perdeu, infelizmente, restando apenas a de Noel, que ficou descontextualizada.

Eduardo do E. S. Prado disse...

Cleiton,

"Refletir sobre as palavras, seus sentidos e formas". Exatamente, foi isso que tentei passar neste post. Espero ter conseguido.
Obrigado!

Eduardo Passos disse...

Edu, terminei de ler se texto sobre a palavras, e tenho apenas a dúvida na comparação de palavra com alegoria, que, para mim, e de acordo com o link em seu próprio texto, me parece um recurso retórico, um tipo de narrativa que carrega uma interpretação, por traz de uma fantasia.
No mais, o artigo está delicioso. A passagem sobre as línguas desaparecerem e trocarem de sexo é de uma sacada muito feliz.
Por fim, te recomendo que se inclua no grupo dos que tem o dom da palavra: continue a praticá-la, caríssimo.

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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008
Incluído no calendário das comemorações nacionais desde2003, o dia 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, será feriado em 350, dos 5561 municípios espalhados pelo Brasil. Em 2008, ano em que a abolição do trabalho escravo completa 120 anos, este dia terá um ingrediente especial: Segundo estimativas do IBGE, os brasileiros que declaram a cor da pele como preta e parda _ negros, pela terminologia do instituto_ serão maioria no país, algo que não acontece desde 1890 (leia em Virada Racial). Podemos questionar se há mesmo a necessidade de tantos feriados, mas também devemos discutir sobre o porquê deles existirem e sobre a intenção daqueles que os criaram. Continue lendo...

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Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

Burros, Cavalos e Democracia

Estamos em época de eleições e só o fato de podermos escolher livremente entre candidatos de diferentes partidos já revela uma característica importante sobre o nosso país: somos uma democracia. Mas o que significa essa tal de democracia, uma palavra tão valorizada entre nós, mas que só por aparecer neste site pode fazer com que ele seja censurado em alguns países? Continue lendo...

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Domingo, 7 de Setembro de 2008
Há 50 anos, em Julho de 1958, nascia a bossa nova, um estilo musical que transformaria para sempre a música brasileira. Um desconhecido João Gilberto, criador de um jeito novo de tocar violão, lançava o álbum “Chega de Saudades” com duas faixas que logo chamariam a atenção do público: “Chega de Saudades”, composição de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, e “Bim Bom”, do próprio Gilberto, ambas com essa “batida diferente”, como definiu seu criador. Bossa era uma gíria usada por jovens universitários para jeito, maneira, estilo. Quando alguém tinha um jeito novo de cantar, tocar, ou mesmo de se comportar diante da turma, dizia-se que era um sujeito cheio de bossa... Continue lendo...

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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008
Este texto é o resultado de algumas reflexões sobre a última greve de professores do Estado de São Paulo, a primeira da qual eu participei, ao contrário de tantas outras que apenas acompanhei pela TV e que muitas vezes praguejei por causa dos transtornos que quase sempre provocam. Por ter vivido esta experiência de greve acabei percebendo algumas coisas que antes me passavam despercebidas e que me levaram a fazer muitas perguntas. Não é a minha intenção aqui responder a essas perguntas ou apontar soluções, até por que não saberia fazê-lo, pretendo apenas levantar algumas questões e compartilhar com o leitor minhas opiniões e minhas dúvidas.

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Domingo, 13 de Julho de 2008
O que é?
Segundo o dicionário Houaiss, entre outras definições, palavra é a menor partícula da língua, com som e significado próprios. Significado que não depende dela, mas do sistema lingüístico ao qual pertence e que é o resultado da interação dos homens entre si e deles com o ambiente em que vivem e que está em constante transformação. Palavra é o que dá nome, ou o que define a natureza do que tem nome. Como um artigo que define o gênero de um substantivo. Palavra deriva do Grego “parabolé”, que significa narrativa alegórica. Em certo sentido uma palavra é isso, uma alegoria, ou seja, uma fantasia, um signo, ou, para ficar mais fácil, um nome para a idéia de alguma coisa. Palavras nomeiam idéias, se uma palavra não existe, a idéia também não existe. Complicado? continue lendo...

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Sábado, 21 de Junho de 2008
No dia 13 de Maio de 2008, 120 anos após a abolição dos escravos, o IPEA* – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - e o IBGE -Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, órgãos do Governo Federal, divulgaram o resultado de um levantamento inédito (ref. 2006) sobre a variação de cor e gênero na participação da economia e do trabalho no Brasil. Além de desmistificar o mito da Democracia Racial brasileira, mostrando que a população preta e parda está muito longe de alcançar os mesmos níveis de educação, emprego e renda que a população branca, os números apresentados permitem fazer uma projeção que pode parecer surpreendente. Continue lendo...

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Segunda-feira, 12 de Maio de 2008
Um Poema Pedagógico
Recentemente eu li "Poema Pedagógico" de Anton Makarenko (S. Paulo, 2005 _ Editora 34). O livro é resultado do diário pessoal que o autor manteve quando foi diretor de um reformatório ucraniano, a Colônia Gorki, entre 1920 e 1928. Makarenko era um adimirador do celebre escritor russo Máxim Gorki, por isso batizou a colônia com seu nome. Gorki se correspondeu com Makarenko e seus internos por vários anos e chegou a visitar a colônia em 1928.A história se passa logo após a Revolução Russa e no final da Guerra Civil. Esses dois eventos, somados a Primeira Guerra Mundial , entre 1914 e 1917 e à Guerra contra o Japão, em 1905, deixaram a economia do país praticamente arruinada. Assim que o Governo Revolucionário conseguiu certa estabilidade política tratou de reconstruir o país. Mas não se tratava apenas de reconstruir a economia, a nova ordem econômica e social, baseada no Socialismo, não tinha precedentes na História. Continue lendo...

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Quinta-feira, 29 de Março de 2007
A cidade fascina os homens a pelo menos 7.500, segundo a Arqueologia. No começo cidade era sinônimo de segurança já que sua função era servir de fortificação. De dentro dela os reis governavam os homens, os sacerdotes seus espíritos e os dois, juntos com os comerciantes, seus bolsos. Todos muito bem protegidos pelos guardas do reino ou da tribo. Com o desenvolvimento das técnicas de construção, as cidades ganharam muralhas, muitas delas intransponíveis, além de templos, palácios, teatros e novos equipamentos urbanos como praças públicas, ruas calçadas, aquedutos e sistema de esgotos. Além de garantir um abrigo seguro para os poderosos a cidade tinha outra função importante: Continue lendo...

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Sábado, 24 de Março de 2007
A organização social do Estado Brasileiro está estruturada em um sistema que, se por um lado oferece instrumentos de bem estar social com políticas públicas de infra-estrutura urbana e previdência social _ além de sustentar uma economia que permite a uma parcela da população participar de todos os benefícios que o desenvolvimento econômico e tecnológico podem oferecer _ por outro impede a outra parcela da população, a maior parte dela, de ter acesso a estes benefícios.
A precariedade das condições de vida e a falta de acesso aos benefícios do progresso econômico é o que define, neste texto, o conceito de violência estrutural; origem de uma sociedade violenta. Continue lendo...

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