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A Mediunidade como Ferramenta de Mudança.

Qual é o papel da mediunidade na vida de um médium?

A mediunidade se restringe somente ao fenômeno mediúnico ou vai além disso e funciona também como um balizador moral na vida do médium?

Eu ouvi alguns anos atrás que a mediunidade é um fardo e às vezes pesado, mas também uma responsabilidade e um trabalho sem igual nessa vida. A torrente de emoções que transbordam durante o trabalho mediúnico e que se bem aproveitadas, servem muitas vezes como o leme de um barco que navega nesse rio caudaloso chamado vida. O contato direto com as pessoas que nos proporcionam essa possibilidade de trabalho, permite a construção de um conhecimento pautado na vivência da história de cada pessoa que se apresenta em um terreiro ou centro espírita em busca de ajuda. As histórias que são narradas muitas vezes sobre sofrimento nos fazem enxergar a vida e trazem sempre o questionamento sobre a dimensão da dor de cada um, pois em sua grande maioria o ser humano tem uma tendência natural em colocar sua dor como a maior dor do mundo e quando escutamos o que é narrado durante o trabalho mediúnico, é que podemos dimensionar melhor as nossas próprias dores e temos também a possibilidade de nos colocar no lugar do outro para tentar entender sua dor.

O trabalho mediúnico, no meu caso, trouxe uma conexão maior com o que, dentro da minha visão, tenho como sagrado e permitiu que eu pudesse entender melhor cada etapa da minha vida e me desse forças para suplantar todas as dificuldades – leia-se tarefas – que surgiam no decorrer do meu caminhar nessa vida. A mediunidade não é um dom exclusivo de quem trabalha em casas espíritas, de Umbanda ou Candomblé, a mediunidade é um dom que foi dado a todos e que muitas vezes alguns já faziam uso desse dom sem se dar conta do trabalho que realizavam junto a outras pessoas e isso independente da crença religiosa que praticasse.

A mediunidade também trouxe consigo a responsabilidade por tudo o que eu faço dentro ou fora da casa em que trabalho, ajudou-me a conquistar novas mudanças para que eu pudesse me alinhar cada vez mais com o propósito ao qual estou imbuído. Eu passei a ter a consciência também de que eu sou um médium durante todo o meu dia e não apenas dentro da casa durante o trabalho mediúnico. Eu sou médium quando estou na rua, quando estou em meu momento de lazer, pois o respeito com o qual eu devo tratar a todos dentro da casa que trabalho deve seguir comigo em todos os momentos da minha vida, na minha casa, no meu trabalho, no meu lazer e assim vamos. A mediunidade ensinou que eu devo agir sempre como se estivesse de branco no chão da casa em que trabalho, pois fazer o bem não é algo que façamos somente em determinados momentos, fazer o bem é algo que deve ser uma constante em nossa vida. Fazer o bem não é somente usar de sua mediunidade para o acalanto das pessoas, é respeitar, é colaborar, é ter empatia pelo próximo, é respeitar a todos sem distinção de qualquer tipo e tratar ao próximo como a si mesmo.


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