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Consciência Plena

Atualizado: Fev 15

Vivemos um dos momentos mais críticos de nossas vidas e não me recordo de já ter ocorrido algo assim no Brasil pelo menos nesses últimos quase sessenta anos de existência terrena.

Nunca estivemos tão distantes e com tantas possibilidades de estarmos tão próximos. A tecnologia nos aproximou de tal forma e na mesma proporção criou abismos sociais quase que intransponíveis. E esses abismos sociais não ficaram restritos aos nossos círculos familiares, ele foi instalado em nosso dia a dia em relação ao próximo, pois aquilo que passou a nos incomodar de que forma fosse nós simplesmente deixamos de “curtir” ou “seguir” e o que nos é agradável fazemos um “like”. Curtir, seguir e like tornaram-se sinônimos de sociabilidade dentro do universo das redes sociais virtuais, mas e a vida como ela realmente é, como ficou?

Nesse contexto virtual onde “emojis” substituem abraços, apertos de mão e sorrisos, chega um elemento concreto, pesado, invisível aos nossos olhos, mas nefasto e sem predileção por cor, raça, posição social ou credo, COVID-19. A pandemia chegou e a forma para diminuir o contágio foi o DISTANCIAMENTO SOCIAL, nos separamos de amigos, parentes, colegas de trabalho, etc... Ficamos dentro de casa sempre que possível para evitarmos a propagação desse vírus. Nesse momento nos demos conta da ausência do próximo, números econômicos exibiram os “invisíveis” que nunca enxergamos e que as redes sociais não faziam a menor ideia de sua presença. De um momento para o outro nos demos conta de como o contato era necessário. O isolamento trouxe a solidão, o medo da ausência e a falta as vezes insuportável do próximo. Em um movimento totalmente contrário vimos o isolamento agregar e a solidão se solidarizar com o próximo.

Algumas pessoas estão se dando conta da existência do próximo e nossa consciência tem sido evocada a refletir sobre o que estamos fazendo aqui e qual o nosso propósito em relação a vida que levamos e que vida queremos a partir desse ponto. Nosso estimado Chico Xavier através das sábias palavras de Emanuel já dizia “Não posso mudar o passado, mas posso fazer um futuro diferente”. O que queremos para nós e para o próximo a partir desse ponto, a conscientização de tudo o que nos leva a um bem estar está intrinsecamente ligado a espiritualidade e uma consciência universal em prol do planeta. Os excessos que cometemos, o consumismo desenfreado que esgota recursos naturais, a disputa por status que atropela relações e a necessidade de ter mais quando muitos nada tem passou a ser o mote de nossas vidas. Nos encontramos em um patamar onde somos incapazes de olhar o próximo e olhar para nós mesmos e o reflexo disso tudo acaba eclodindo em outros tipos de agravantes em nosso corpo e nosso espírito através de doenças como a depressão.

Quando deixamos de olhar para nós mesmos, deixamos também de nos amar e fora de um aspecto egoísta, amar a si próprio e antes de mais nada reconhecer o que você é como ser humano, suas falhas e suas qualidades, também reconhecer sua capacidade de mudar seu comportamento de forma proativa sem detrimento de sua vida. Quando olhamos para dentro e encontramos nossos fantasmas, entendemos que eles fazem parte da nossa jornada e passamos a compreender melhor nosso papel nessa vida com o entendimento de que meu caminho é somente meu. A pandemia do COVID trouxe de forma única a possibilidade da introspecção para uma compreensão maior onde nos enxergamos e enxergamos o próximo, colaboramos conosco e ajudamos ao próximo. Aquele que está ao meu lado é meu irmão e ele está ali com um propósito. Esse distanciamento está deixando bem claro a necessidade de habitarmos esse mundo como irmãos e não como seres distantes de lugares distantes onde somente as redes sociais conseguem transformar metros em quilômetros.




#Plantas #Crescimento #Vida

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