• Ideias & Ensaios

Arrependimento, Perdão e Absolvição.

Atualizado: 15 de Dez de 2020

Quantas vezes a palavra arrependimento não saiu de nossa boca ou ficou ecoando em nossa cabeça?

Quantos erros cometemos e deles não viemos a nos arrepender?

Acredito que o arrependimento chegue até nós por diversos motivos, quantas vezes eu não me arrependi de não ter ido a um determinado show, de ter deixado de comparecer a uma festa, mas também de ter tido a oportunidade de ajudar e não ter feito nada, me arrepender de ter a possibilidade de fazer algo diferente em determinada situação e não ter soltado uma quantidade enorme de palavras que só causaram dor e sofrimento.

Ao longo do tempo fui compreendendo que o arrependimento não precisava ser um sofrimento dentro da minha cabeça, que ofuscava minhas ideias e meus sentimentos transformando tudo em dor e suplício. O arrependimento não precisava ser uma lança sempre apontada para o meu íntimo, poderia sim ser a agulha da bússola que iria orientar o meu Norte rumo a um novo caminho e a partir desse ponto o arrependimento passaria para o perdão e posteriormente minha absolvição.

A compreensão de que o arrependimento não precisa ser uma forma de sofrimento contínuo encravado em nossa alma nos leva diretamente a ideia de que o arrependimento é um passo natural para o reconhecimento de falhas e condutas erradas, coisas que pertencem ao nosso passado e que não precisam transformar-se em fantasmas de nossa alma, assombrando nossos sonos e sonhos. Arrepender-se do que fizemos de errado sem transformar isso em um fardo é perdoar a si mesmo e tendo a consciência da falha cometida e possibilitando uma melhor compreensão da vida, pois errar é uma característica comum de quem está em fase de aprender e evoluir. Na medida em que evoluímos como seres humanos erramos menos, pensamos nos erros cometidos e usamos isso como ensinamento para não cometermos as mesmas falhas. O arrependimento sincero é capaz de nos levar a uma condição de entendimento sobre o autoamor, o perdoar a si mesmo e tendo isso como base podemos chegar a um ponto onde somos capazes de nos absolver de todo o sofrimento que causamos a nós mesmos pelas dores que levamos aos outros.

Arrepender-se, perdoar-se e absolver-se são passos dados de forma lenta e gradativa, sem tempo para acontecer, mas acontecendo naturalmente como um pequeno bebê que engatinha para depois andar e posteriormente correr, mas com a possibilidade de que em algum momento pode haver um tombo e que esse tombo não precisa nos deixar prostrados no chão chorando eternamente impedindo nossa evolução enquanto seres humanos encarnados.


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