• Ideias & Ensaios

O que eu entendo como Religiosidade.

Aonde se encontra minha religiosidade?

Talvez já tenha falado ou escrito sobre isso, e talvez esse texto seja uma evolução dos meus sentimentos e visão a respeito da minha religiosidade, então vamos às letras e linhas.

Sou filho de portugueses, então não é muito difícil imaginar onde eu passava as manhãs de domingo. Religiosamente íamos à igreja para rezar e “confessar” nossos pecados, registrando fazia isso contra minha vontade, mas a minha vontade esbarrava no autoritarismo do meu pai e nos meus parcos 10 anos, apenas para referência. Às vezes eu e meu irmão tínhamos a ideia idiota de tentar ludibriar meus pais e isso nos custava caro quando chegávamos em casa, mas vamos ao que realmente interessa.

O que chamava a minha atenção e como um ser humano, nesse caso o padre, poderia transmitir para Deus o meu recado, já que se Deus via tudo, isso era algo desnecessário e ele como ser humano não estaria sujeito a cometer falhas da mesma forma que eu fazia?

Meu pai tentou de todas as formas que eu seguisse seu caminho e me tornasse uma pessoa que diria amem a tudo o que “Deus” dizia na igreja através do padre. Foi Crisma, Primeira Comunhão, etc. E isso não deu certo. Eu era rebelde, questionador e não aceitava nada que não fosse plausível dentro da minha visão de mundo, era assim quando criança, fui assim enquanto adolescente e sou assim como adulto.

Muitos anos se passaram e um dia eu fui “presenteado” com o Livro de Espíritos. Aquilo foi o descortinar de uma janela que vivia fechada e embaçada, foi o meu “Fiat Lux”. Outros tantos anos se passaram e me deparei com aquilo que seria a estrada pela qual eu iria me encontrar e traria a verdadeira transformação em minha vida em todos os aspectos, mas isso também não foi tão simples assim, mas eu cheguei na Umbanda e ela chegou em meu coração.

Minha chegada na Umbanda, como médium se deu por volta dos meus 25 anos, talvez um pouco mais, mas foi nessa faixa que cheguei na minha estrada, mas, eu não estava pronto e acabei batendo cabeça em algumas casas, mas que fique claro que isso se deu pela minha total falta de responsabilidade comigo e minha religiosidade, pois eu ainda não havia adquirido o sentido do que realmente deveria ser um umbandista.

Hoje, aos 61 anos, médium em uma casa de caridade e com a minha compreensão sobre o que é ser um médium de Umbanda, eu questiono onde está minha religiosidade.

Ao longo de todos esses anos, observando, lendo, estudando, aprendendo e compreendendo que tudo está a minha volta, todas as pessoas que cruzam o meu caminho de um jeito ou de outro, atitudes, palavras, pensamentos e ações, tudo isso de certa forma é resultado da minha religiosidade.

Independente da crença religiosa que qualquer um tenha, eu passei a compreender que a religiosidade não estava apenas, no meu caso, em minha roupa branca ou no terreiro que trabalho. A Umbanda, minha religiosidade, está em tudo o que eu faço, em cada ação que tomo no decorrer do meu dia, ela se encontra no tratamento que eu dispenso às pessoas com lido no dia a dia independente da relação que eu tenha com elas. Minha religiosidade passou a estar presente no bom dia, boa tarde ou boa noite eu digo, na gentileza com que eu trato meu semelhante, pois devo tratar a todos da mesma forma que eu gostaria de ser tratado.

Passei a compreender melhor que eu não precisava de uma bandeira para agir como uma pessoa de bem. Eu decidi estar dentro de um terreiro de Umbanda, mas fosse uma Igreja Católica ou Evangélica, um Templo Budista ou mesmo uma Mesquita, para agir como uma pessoa de bem, seria necessário estar conectado a Deus. Compreendi que essa mesma religiosidade não poderia ficar restrita ao local onde eu vou professar minha Fé. E foi essa compreensão que abrandou meu coração e sentimentos e trouxe clareza para minhas ideias e questionamentos.

Hoje eu tenho a certeza de que tudo o que eu faço é um reflexo da minha mudança enquanto religioso, mas isso também não tira o mérito de ninguém que não esteja inserido em um contexto religioso. O mais importante nisso é o que você em relação ao próximo e como você trata aqueles que estão a sua volta.

Eu optei pela Umbanda, mas você pode trilhar a estrada que quiser, mas faça com dignidade e respeito pelo próximo.



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