• Ideias & Ensaios

Por minha mãe

Sentei-me na areia e fiquei olhando o movimento do mar, o vaivém das ondas mais pareciam o balanço dos braços da minha mãe quando me aconchegava junto ao seu corpo para me aquecer ou me proteger.

Observei cada ida e vinda das marolas que enchiam meus pés com areia e limpavam as marcas entranhadas em cada dobra dos meus dedos.

As ondas às vezes subiam alto, impulsionadas por um vento forte que fazia com que gotas desse imenso mar salpicassem na minha fronte, refrescando minha cabeça e deixando meu rosto tal qual uma folha carregada do orvalho da noite.

Nesse ir e vir de ondas meu corpo tremia ao sentir o troar forte de cada batida das ondas nas areias da praia, mas isso não me assustava, pelo contrário, eu ficava tranquilo perante tamanha força e serenidade.

O vento soprava, o mar balançava, as ondas subiam e banhavam meu corpo parado ali na beira do mar e ouvindo o som de tudo que estava a minha volta. Em seu manto azul da mesma cor do mar e do céu que adornava esse cenário, minha mãe surge resplandecente com a docilidade que é natural de todas as mães para com seus filhos.

Como em um sonho ela toca meu rosto e sem abrir a boca eu ouço suas palavras aquecendo meu coração: “Meu filho, sabes que nunca estiveste sozinho, eu sempre te amparei e sempre te protegi. Mas nunca poderei te proteger de tuas próprias atitudes e nem de tuas palavras. Chorei quando duvidaste, mas fiquei feliz quando te arrependeste de alguns dos teus atos. Estive atenta a cada passo que deste e te alertei para os erros que poderias cometer e mesmo quando erraste eu estava lá te abraçando quando pediste pela minha presença, mas o teu orgulho foi maior e cegou teu coração e fechou teus ouvidos para o que eu te dizia. Mas estou aqui novamente, olhando em teus olhos e feliz por que vieste de coração aberto procurando pela redenção de tuas atitudes. Lava o teu rosto nas minhas águas e limpa as mágoas que ainda carregas em teu coração. Deixe que o sofrimento possa escorrer de teu semblante como faz a água que escorre de teu corpo. Lembre-se, mãe alguma abandona totalmente seu filho mesmo aquelas que em atitudes de desespero maior os deixaram no mundo. Agora ergue-te e segue teu caminho, trilha a retidão e tenha como Norte a Caridade”

O doce Yabá

Salve minha mãe Iemanjá.


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