• Ideias & Ensaios

Um tesouro chamado Família.

Qual é a verdadeira definição da palavra Família?

Na definição literal a explicação ficaria da seguinte forma “Um grupo de pessoas vivendo sobre o mesmo teto e/ou que possuem a mesma ancestralidade”. Mas será realmente que a palavra Família se resumo a isso, engessamos o conceito e deixamos que ela fique presa a ideias “familiares”?

Olhando um pouco além desse formato, o que podemos divisar mais além fora do escopo “familiar”?

Quando passamos a fazer parte de um grupo seja ele de trabalho, estudo, religioso ou outro qualquer, isso acaba se compondo em uma família. Desenvolvemos empatia ou não pelos que estão inseridos em um desses grupos, coisas que são corriqueiras dentro de uma família. Mas em um sentido mais abrangente podemos perceber, quando possível, que o mundo é uma grande família da qual não nos damos conta e que querendo ou não, as pessoas que estão a nossa volta nessa gigantesca e invisível família, tem dependências enormes uns com os outros.

O mais interessante é que quanto mais o tempo passa e a tecnologia permite a aproximação desses desconhecidos familiares, mais nos distanciamos do outro, do próximo e às vezes de si mesmo. Eu me pergunto porque chegamos a um ponto onde sabemos de tudo, ouvimos de tudo, vemos de tudo e ainda assim não somos capazes de ver e ouvir o próximo, mas ouvimos o que nossos pais, filhos, esposa e marido dizem, que também não é uma verdade, pois às vezes existem famílias que se forma apenas no simbolismo da palavra e esquecem o real conceito do que é uma família.

Quando alguém de nossa família tem algum problema, acudimos na maior brevidade possível e o seu irmão familiar do mundo, será que agimos com a mesma presteza? Nosso conceito egoísta de família deveria ser derrubado como um muro que cai corroído pela ferrugem de suas estruturas morais.

A humanidade forma uma imensa família, mas muitos nada fazem para mudar esse conceito. Meu vizinho, a pessoa que varre minha rua, o funcionário do mercado que frequento, o atendente no posto de saúde, todos eles fazem parte da minha família. Minha família é o mundo que eu vivo e qualquer ser humano que esteja dentro desse universo é um irmão meu, não biológico, mas um irmão por viver dentro do mesmo ambiente global. Suas mazelas são minhas mazelas e eu tenho obrigação moral de não deixar que ele passe por isso ou na pior das hipóteses minimizar o seu sofrimento levando minha solidariedade até ele da forma que for possível. Não é mais cabível assistirmos tudo o que acontece no mundo e ficarmos de braços cruzados assistindo o sofrimento de milhares de pessoas que não possuem o que comer, não tem um teto para dormir, sem um cobertor para aplacar o frio ou qualquer outra coisa que possamos ceder para minimizar essa situação, mesmo que seja uma parcela de seu tempo.

Quando vejo o sofrimento do outro, aquilo me aflige de tal forma que é como se fosse comigo, pois, no fundo, eu penso que poderia estar no lugar dele em total desespero por não ter a quem recorrer. A sensação de estar caminhando em uma estrada movimentada com centenas de carros a sua volta, mas que a surdez impede de ouvir aquele ruído incessante que provavelmente faria com que eu mudasse minha direção e procurasse outro caminho.

Mude sua direção agora, procure enxergar quem está a sua volta, olhe o que acontece com o mundo, permite que seu coração abrace quem realmente está precisando de um abraço ou daquilo que você possa ceder para diminuir o sofrimento do próximo.

Seja um membro dessa família global, não fique apenas como um espectador de uma triste peça de teatro que encerra o espetáculo ao baixar a cortina.


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