A TRADICIONAL FAMÍLIA BRASILEIRA
A Constituição Brasileira, no seu Artigo 226, define a
família como "a base da sociedade", garantindo a ela "especial
proteção do Estado". Apoiada no mesmo artigo, a jurisprudência
constitucional reconhece e protege as diferentes formas de configurações
familiares.
Se é assim, o que querem os políticos conservadores da
direita, quando dizem defender os valores da tradicional família brasileira?
Que família tradicional é essa?
A formada por um homem provedor e protetor, o chefe da
família, e pela mulher cuidadora do lar, dócil e submissa?
É só olhar para a história real do Brasil para
perceber a distância entre esse ideal conservador de família e o que os dados
mostram.
Na literatura nacional, no cinema, na música popular,
a figura paterna sempre foi marcada pela ausência. E os números atuais parecem
confirmar o que a arte já vinha retratando:
Mais da metade dos domicílios brasileiros, cerca de
52% segundo o último PNAD, é chefiada por mulheres. E só na última década, mais
de 1,7 milhões de crianças brasileiras não tiveram o nome do pai registrado na
certidão de nascimento.
E registro paterno não é tudo. O abandono parental é
um padrão social recorrente no Brasil. Historicamente, incontáveis famílias
brasileiras foram sustentadas pelo trabalho materno.
Se existe um rosto que represente bem a família
tradicional brasileira no imaginário nacional, ele sempre foi o da mãe. A mãe
que cuida, mas que também trabalha, educa e sustenta a casa, muitas vezes
sozinha.
Essa "família tradicional" que os
conservadores dizem defender só existe enquanto ideal, e só resiste no discurso
porque nunca precisou se confrontar com a realidade.
Enquanto discurso político, é promessa vazia, porque
não propõe nada. E, por se apoiar em preconceitos contra grupos minoritários,
ou socialmente mais vulneráveis, como as famílias monoparentais, quase sempre
chefiadas por mulheres, é socialmente nocivo.
Além disso, esconde a falta, e mesmo o desinteresse da
direita brasileira, por projetos que realmente fariam diferença para as
famílias: geração de emprego, renda, acesso a moradia digna, educação e saúde
pública de qualidade. Isso sim seria defender a família. Sejam elas as
"tradicionais" ou não.

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