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A TRADICIONAL FAMÍLIA BRASILEIRA

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A Constituição Brasileira, no seu Artigo 226, define a família como "a base da sociedade", garantindo a ela "especial proteção do Estado". Apoiada no mesmo artigo, a jurisprudência constitucional reconhece e protege as diferentes formas de configurações familiares. Se é assim, o que querem os políticos conservadores da direita, quando dizem defender os valores da tradicional família brasileira? Que família tradicional é essa? A formada por um homem provedor e protetor, o chefe da família, e pela mulher cuidadora do lar, dócil e submissa? É só olhar para a história real do Brasil para perceber a distância entre esse ideal conservador de família e o que os dados mostram. Na literatura nacional, no cinema, na música popular, a figura paterna sempre foi marcada pela ausência. E os números atuais parecem confirmar o que a arte já vinha retratando: Mais da metade dos domicílios brasileiros, cerca de 52% segundo o último PNAD, é chefiada por mulheres. E só na ú...

QUEM MANDA NO BRASIL?

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Talvez você responda que é o Presidente da República. Ou talvez que seja o Congresso Nacional. Ou, ainda, os ricos. Na prática, o poder no Brasil é bastante dividido, e não há um punhado de atores que, sozinhos, tenham o poder de ditar as políticas públicas e os rumos econômicos do país. Cada decisão é resultado de muita discussão, confrontos, acordos, negociações e renegociações entre atores diversos, que vão desde o Congresso Nacional até os bancos, ruralistas, sindicatos, igrejas, passando pela pressão popular. É um jogo de forças e de interesses em que os mais articulados e mobilizados tendem a prevalecer. No Brasil, o Presidente da República é o chefe do Poder Executivo que, como o nome diz, executa o orçamento aprovado pelo Congresso Nacional, implementa políticas públicas e econômicas e determina o tom e as prioridades na política externa. Além do Presidente, o Poder Executivo Federal é composto pelos Ministérios, onde não é incomum que ministros tenham agendas próprias e inte...

As Casas Bahia que eu Conheci ...como vendedor

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A Casas Bahia se tornaram um grande símbolo do varejo brasileiro e ganharam um lugar no coração de milhões de consumidores das classes C, D e E, sobretudo em São Paulo, que viam nessa rede a única via de acesso a bens de consumo básicos para montar uma casa e construir um lar. Fui vendedor da empresa por 5 anos, entre 2001 e 2006, e acompanhei o começo da transição da rede de uma superpotência inquestionável no varejo até o início da decadência. Quando entrei, me surpreendi ao ver que as condições de crediário eram extremamente flexíveis e que praticamente qualquer pessoa, mesmo sem nenhuma comprovação de renda, conseguia seu carnezinho das Casas Bahia. O crédito era aprovado ou rejeitado na própria loja e o sistema de financiamento, a juros muito altos, permitia alguma inadimplência sem comprometer as margens de lucro. O ganho com os juros dos que pagavam em dia - a imensa maioria - mais que compensava a perda com os que não pagavam. E estes últimos ainda contavam com um sistema de ...

Bossa Nova: 50 Anos

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Há 50 anos, em Julho de 1958, nascia a bossa nova, um estilo musical que transformaria para sempre a música brasileira. Um desconhecido João Gilberto, criador de um jeito novo de tocar violão, lançava o compacto "Chega de Saudades" com duas faixas que logo chamariam a atenção do público: "Chega de Saudades", composição de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, e "Bim Bom", do próprio Gilberto, ambas com essa "batida diferente", como definiu seu criador. O LP completo, com o mesmo nome, sairia só no ano seguinte. Bossa era uma gíria usada por jovens universitários para jeito, maneira, estilo. Quando alguém tinha um jeito novo, ousado de cantar, tocar, ou mesmo de se comportar diante da turma, dizia-se que era um sujeito cheio de bossa. Desde o início dos anos 50 o termo bossa nova já era usado para os sambas mais modernos. Algumas canções, que hoje são ouvidas como bossa nova, foram gravadas bem antes. "Copacabana" foi gravada em 1946, por Dic...

Ao trabalho!

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Este texto é o resultado de algumas reflexões sobre a última greve de professores do Estado de São Paulo , a primeira da qual eu participei, ao contrário de tantas outras que apenas acompanhei pela TV e que muitas vezes praguejei por causa dos transtornos que quase sempre provocam. Por ter vivido esta experiência de greve acabei percebendo algumas coisas que antes me passavam despercebidas e que me levaram a fazer muitas perguntas. Não é a minha intenção aqui responder a essas perguntas ou apontar soluções, até por que não saberia fazê-lo, pretendo apenas levantar algumas questões e compartilhar com o leitor minhas opiniões e minhas dúvidas. A greve durou três semanas e foi marcada por um silêncio ensurdecedor por parte da imprensa. Quase não foi notícia! Apenas quando os professores, em passeata, interditavam a Avenida Paulista, uma das principais da cidade, é que o movimento aparecia na mídia, e mesmo assim, por conta dos congestionamentos que provocava. Até hoje essa atitude da imp...

O Universo das palavras

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Palavra: O que é? * Nota do futuro: Este texto foi escrito há vinte anos, quando eu era — e ainda sou — apenas um curioso e admirador da língua, não um linguista. Na época, verificar fontes não era tão simples quanto é hoje, e o texto escrito carregava uma credibilidade que talvez nunca devesse ter tido, mas tinha. Ao reler o artigo agora, percebo que ele repete um mito linguístico conhecido (a ideia de que línguas árticas têm dezenas de palavras para "neve") e traz duas etimologias que não se sustentam. Optei por não reescrever o texto: ele também é um retrato de como eu pensava e escrevia então, e apagar isso seria uma forma de mentir sobre o próprio percurso. Mas não seria honesto mantê-lo sem avisar. Fica o registro, com os devidos reparos.  Segundo o dicionário Houaiss, entre outras definições, palavra é a menor partícula da língua, com som e significado próprios. Significado que não depende dela, mas do sistema lingüístico ao qual pertence e que é o resultado da inte...

Virada Racial

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No dia 13 de Maio de 2008, 120 anos após a abolição dos escravos, o IPEA * – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - e o IBGE -Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, órgãos do Governo Federal, divulgaram o resultado de um levantamento inédito (ref. 2006) sobre a variação de cor e gênero na participação da economia e do trabalho no Brasil. Além de desmistificar o mito da Democracia Racial brasileira, mostrando que a população preta e parda está muito longe de alcançar os mesmos níveis de educação, emprego e renda que a população branca, os números apresentados permitem fazer uma projeção que pode parecer surpreendente: Pela primeira vez, desde o início do século XX, os brasileiros que se auto-declaram brancos serão minoria. E isso até o final de 2008! Mas vamos com calma, antes de continuar eu preciso dar algumas explicações. Apesar do título deste texto ser "Virada Racial", entre humanos não se reconhece a existência de raças biológicas. Isso não existe! _ E...